Gravado quando a doença que lhe levaria a vida dois anos depois já lhe roubava a voz e limitava os movimentos, “Galinhas do Mato” (1985), último álbum de José Afonso, é um objeto singular onde convivem o Portugal rural, as vivências moçambicanas, pensamento político, experimentação tímbrica e uma curiosidade artística que o iminente fim físico nunca conseguiu vergar. Ouvir a sua reedição, hoje, é encarar um futuro que, então, nascia da memória